OLHA EEEEELAAAAAAAS – um recorte (tendencioso) sobre liderança feminina na publicidade

Mulheres na publicidade

Hoje, Dia Internacional da Mulher, acordei da pá virada cuspindo verdades por aí, como você pode ver nesta publicação que fiz no meu Facebook sobre o meu primeiro “Feliz Dia da Mulher” deste ano. Então resolvi me apropriar (ou seria empoderar?) desse espaço e utilizá-lo para causar. Nem que seja reclamação. 😉

Recentemente assisti a uma apresentação do Sinapro-SP (Sindicato das agências de Propaganda de São Paulo) com os resultados da Pesquisa Anual do Perfil das Agências de Propaganda do Estado de São Paulo. O Sinapro-SP reforça que a pesquisa é sempre respondida por cargos decisivos. O resultado com dados sobre 2014,  é que 82% dos respondentes eram sócios ou proprietários. 10% eram gerentes (não sócios), 6% eram diretores (não sócios) e outros 2% eram CEOs ou presidentes. Deste grupo, apenas 22% dos respondentes são mulheres.

Ainda de acordo com a pesquisa do Sinapro-SP, das agências da capital com faturamento acima de 50 milhões as respondentes do sexo feminino são apenas 8%, ou seja, apenas essas estão em posição de liderança. Por quê?
Imagine que haverá uma reunião importante num dia qualquer. Na manhã do dia da reunião, você, homem, acorda uma hora antes do normal e estuda um pouco melhor o conteúdo da reunião. Enquanto isso, sua colega de trabalho gasta 30 minutos fazendo as unhas, 10 acertando a maquiagem e 5 ajeitando o cabelo porque se ela não fizer é relaxada e prejudica a imagem da empresa.

Você pode achar coincidência que sua colega de trabalho tenha apenas 1/4 do tempo que você, homem, teve para se preparar e que esse número se aproxime muito daqueles 22% das que responderam a pesquisa do Sinapro-SP. Você pode achar coincidência que existam muito mais mulheres nas áreas de humanas e pouquíssimas nas áreas de ciência e tecnologia e pode achar também que isso não tem qualquer relação com o fato de desde crianças somos “treinadas” para cuidar da casa e dos filhos brincando de bonecas e casinha enquanto meninos, são treinados para o pensamento lógico, brincando de lava-jato de montar e desmontar e ganhando caixas de ferramenta de brinquedo.

Mas você não pode ignorar que as mulheres têm mais anos de estudo (não sou eu quem digo isso, mas o CENSO 2010 e você pode ver aqui). E mesmo assim, quantas “Washingtas Olivettas” você conhece? Quantas CMO? Quantas “Marissas Mayer” a gente tem pelo Brasil? Onde estão as mulheres em cargos de liderança em nosso mercado? Onde estão as mulheres em suas agências?

O mercado publicitário não é machista apenas da porta para fora. Não é só nas campanhas de mulher pelada em cerveja. Claramente o escritório é a nova cozinha. Isso significa que da porta para dentro das agências temos uma questão que precisa ser pensada e modificada.

Fico feliz em fazer parte desse crescente grupo de mulheres em posição de liderança no meio publicitário e mais ainda ao ver que aqui no interior esta é uma realidade cada vez mais comum. A pesquisa do Sinapro-SP aponta que na região de Ribeirão Preto, as mulheres respondentes são 30%. No ABC são 39% e na Capital, nas agências com faturamento inferior a 50 milhões, 25%.  Mas ainda somos minoria e o caminho pela frente é árduo, chato e longo, mas quer saber? Depois de toda essa conversa tensa, acho adequado encerrar esse textão com um meme que já está um pouco velho e batido, mas nesse contexto vem carregado de significado e com uma mensagem bem sutil.

olha elaaa😉

Alaina Paisan

Carioca em Sanca/SP. Planejamento no seu agá & os Haroldos, hiperativa digital, catlover, movida a café e com permanente saudades do Rio. 📌É BISCOITO!