Digital Infuencer: a origem

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Alerta: Este post contém diversos elementos visuais da internet dos anos 2000.

 

A última imagem do meu alterego blogueiro

Meu alterego blogueiro

Provavelmente você não sabe, mas essa que aqui escreve já foi uma blogueira no final dos anos 2000. Numa era em que o Orkut era rei, havia quem se aventurava entre linhas de código e texto para divagar, opinar e registrar sobre diversos tópicos e eu era uma destas aventureiras em meu humilde e saudoso blog chamado Decote & Saideira. Naquela época a gente chamava mídia digital de blog, novas mídias de blog e um monte de blogs de blogosfera e ser da blogosfera era super “cool”.

 

Mas veja bem: eu já cheguei tarde nessa onda. Em 2001 o Edney (mais conhecido como Interney) já havia criado a primeira lista de discussões reunindo blogueiros no Brasil e em 2004, amigos, rolaram as primeiras tretas malignas envolvendo questões judiciais e blogueiros. A Época tem um link muito legal que é praticamente um resumo da Era Paleozóica da Blogosfera Brasileira, publicado em 2006!!! O título da matéria é 25 momentos da blogosfera brasileira (até então).  

#pracegover T-Rex em desenho impaciente vira para um lado e para o outro

Primeiros blogueiros brasileiros

Quando comecei com o Decote&Saideira existiam os grandes blogs, como o Kibe Loco, e todo um universo embaixo sonhando com aquele sucesso. Mas e daí? Bom… estou contando essa história nostálgica para mostrar a vocês que esse lance de “digital influencer”, ou influenciadores digitais não é novidade. Naquela época, já se ganhava dinheiro com influência. Lá por 2008 criaram a cartografia da blogosfera brasileira e isso gerou um bafafá e o um clássico da hue hue br (vulgo: zueira brazuca), o supertrunfo dos blogs (inclusive vale ressaltar que existe até hoje o gerador de cartas do Supertrunfo dos Blogs).

A Cartografia da Blogosfera Brasileira

A Cartografia da Blogosfera Brasileira

Para os pequenos blogs restava a merrequinha do Google Adsense que na época pagava o domínio personalizado, uma hospedagem e sobrava uns trocados. Eu acredito que foi só em 2010 pode-se começar a falar sobre rentabilidade para pequenos blogs. Por quê? Neste ano o Google lançou um algorítimo que passou a usar o histórico de navegação dos usuários para oferecer anúncios mais relevantes para ele.

A velha guarda dos gifs

A velha guarda dos gifs

E quando eu falo “pequenos” são pequenos mesmo! Para você ter uma ideia da discrepância, em 2007 o Kibe Loco (que era um recordista de acessos) atingiu 180 mil acessos diários e foi eleito o Melhor Blog pela Info Exame, meu melhor dia foi um pico de 3 mil acessos com um post “10 galãs +40 altamente pegáveis” que bombou porque saiu em um agregador. Vale ressaltar: naquela época o sonho dourado de qualquer blogueiro era ser publicado em um agregador de links, uma espécie de curadoria com os melhores posts publicados por diversos blogs no dia (o Colmeia é um agregador que ainda está, digamos, “ativo”).

 

O QUE MUDOU?

Com o tempo alguns desses caras foram crescendo, outros morrendo, alguns agregados em portais maiores como o Globo.com. Houve também blogs que começaram a criar outros braços: as comunidades do Orkut viraram páginas no Facebook, surgiram podcasts, canais no youtube, arrobas no Twitter e no Instagram, grupos do Whatsapp e mais recentemente a explosão do Medium e Snapchat.

Qual a diferença? Hoje temos dezenas de formas de remuneração para o criador de conteúdo/influenciador, os formatos são muito variados (vídeo, texto, som, foto), as plataformas também, mas para mim a principal mudança é o acesso. Sim, acesso. A internet começou a funcionar no Brasil em 1995 e demorou pra se democratizar, pois em 2005, apenas 32 milhões de brasileiros tinham acesso à internet e em 2008 apenas 20 milhões de conexões eram de banda larga, isso considerando um universo total de 186 milhões. Pense no hoje com smartphones completamente integrados ao dia a dia dos usuários e grande parte deles com internet móvel disponível a qualquer momento com pacotes de dados a preços populares.

A internet chegou ao Brasil há vinte anos. E junto com ela os influenciadores. Não dá mais para dizer que essa é uma estratégia nova demais para a sua empresa, né? Pense nisso. 😉

Alaina Paisan

Carioca em Sanca/SP. Planejamento no seu agá & os Haroldos, hiperativa digital, catlover, movida a café e com permanente saudades do Rio. 📌É BISCOITO!