De mulher pra Mulher – meu nome não é Marisa – e a tal da sororidade

Sugiro a leitura ouvindo essa música:

 

Viver em uma sociedade que tem o machismo na essência deixa raízes muito profundas. Tão profundas que muitas vezes nós, mulheres, reproduzimos isso sem perceber.


Confesso que me orgulho das minhas conquistas: aos 22 me formei com bolsa em uma das melhores universidades do país, aos 26 saí de casa e fui morar 700 km de distância de tudo que eu conhecia em busca de um sonho, aos 27 me tornei sócia de uma agência de publicidade, aos 28 estou terminando minha pós e gerencio todos os projetos e equipes da empresa que, não tem Cannes nem fatura milhões de Reais e não emprega centenas de pessoas, mas posso chamar de minha.

É de se comemorar? Eu achava que sim. Mas hoje refleti sobre o tema e concluí que não. Por que? Lembra que no início do texto falei que as raízes são tão profundas que reproduzimos o machismo sem perceber? Pois então. Cresci em um contexto cercada de mulheres incríveis dentro e fora de casa. E desde cedo a gente aprende que precisa batalhar muito e acaba nem prestando muita atenção nas conquistas umas das outras.  Hoje, entendo que minhas conquistas individuais não bastam.

Aqui na empresa nossa equipe interna e fixa é formada por 5 pessoas. A única mulher sou eu. Se considerarmos o histórico de funcionários, estagiários, freelas e prestadores de serviço  o número é de apenas 40% de mulheres ao longo de quatro anos de vida da empresa.

Nossa equipe sempre foi selecionada considerando os currículos e desempenho durante o processo seletivo. Ao desconsiderarmos que os homens são, desde pequenos, estimulados a pensar na ciência, enquanto nós aprendemos a brincar de casinha e que para ter o mesmo currículo uma mulher precisa desprender muito mais tempo de estudo, nós fomos injustos em nossos processos seletivos enquanto empresa e eu, não tive sororidade.

Quando peço ao meu sócio para ir em reuniões em meu lugar, estou dando a ele um lugar de fala que muitas e muitas mulheres lutaram para que eu tivesse e, no entanto, estou abrindo mão.

Quando solicito orçamento de terceiros e fecho com homens que tem o valor 20% menor que o de uma mulher estou ignorando o fato de que mulheres ganham menos que homens em todo o mundo e que pagar a ela 20% mais do que a um homem é, na verdade, reparação.

Todos os dias deixo passar diversas oportunidades de dar a outras mulheres oportunidades de terem condições de vida e trabalho mais próximas da dos homens. Todos os dias reproduzo, direta ou indiretamente o machismo da nossa sociedade. Todo dia me falta sororidade. E só hoje, Dia Internacional da Mulher, enquanto recebia gifs de flores e parabéns pelo Whatsapp, entendi que meu lugar de fala é muito mais importante para empoderar outras mulheres e agradecer àquelas que fizeram isso por mim do que para comemorar.


E se você chegou até aqui, recomendo aprofundar a leitura com os textos abaixo que falam muito sobre essa palavra linda e cheia de significado que usei bastante: sororidade.

o conceito de sororidade

A banalização do termo sororidade

Por que precisamos de sororidade

No The Huffignton Post você encontra uma série de notícias com a tag “sororidade”

Alaina Paisan

Carioca em Sanca/SP. Planejamento no seu agá & os Haroldos, hiperativa digital, catlover, movida a café e com permanente saudades do Rio. 📌É BISCOITO!